Tratamento do Aborto de Repetição

11 de fevereiro 2019

O aborto de repetição é caracterizado quando há perda de três gestações seguidas, com o mesmo parceiro. Se a mulher tem mais de 35 anos, dois abortos em sequência já podem indicar o problema. O aborto pode ocorrer até a vigésima semana de gravidez, mas normalmente acontece antes de 12 semanas completas. Cerca de 0,5% dos casais sofrem com esta dificuldade.

As origens dos abortos de repetição podem ser das mais variadas, e uma pessoa pode apresentar até mais de uma causa. São elas:

1. Causas genéticas;

2. Causas uterinas;

3. Causas imunológicas;

4. Causas autoimunes;

5. Causas hematológicas;

6. Causas hormonais e infecciosas;

7. Carência de vitaminas.

Já existem tratamentos eficientes no combate ao aborto de repetição, como no caso de carência de vitaminas; a reposição pode ser feita através da ingestão de algumas gotas de vitamina D, semanalmente, em fórmulas desenvolvidas em farmácias de manipulação. Também se deve, de forma moderada, expor-se ao sol, o que auxilia na fixação da vitamina D, entre outros benefícios.

Outro tratamento alternativo que pode ser associado é a reposição de progesterona. Hoje em dia, é possível detectar a causa e tratar adequadamente a paciente para permitir a evolução da gestação.

As principais condições que resultam em aborto de repetição são:

SÍNDROME ANTIFOSFOLÍPIDE

A síndrome antifosfolípide (SAF) é definida como a presença de trombose, ou abortamentos de etiologia auto-imune na vigência de auto-anticorpos circulantes contra fosfolípides ou proteínas associadas a fosfolípides.

É uma trombofilia adquirida, diferindo de uma série de condições hereditárias que se caracterizam por processos trombóticos de ocorrência familiar.

A SAF pode ser primária, quando aparece isolada, o que corresponde à maioria dos casos; ou secundária, quando conjuntamente presente com outra doença, mais comumente o lúpus eritematoso sistêmico (LES).

A doença, seja ela na sua forma primária ou secundária, predomina no sexo feminino. Estudos de prevalência em que se objetivou observar a frequência de positividade dos anticorpos antifosfolípides, não os correlacionando com a clínica, demonstram a presença desses anticorpos entre 5% e 10% da população sadia. A prevalência aumenta com a idade. Esses valores se elevam e podem chegar a 30%-50% nos pacientes portadores de LES.

Existe um ambiente pró-aterogênico na SAF, pois todas as etapas do sistema de coagulação estão conjuntamente ativadas para que se produza a trombose. Desse modo, as células endoteliais estão ativadas, expressando um maior número de moléculas de adesão; o tônus vascular encontra-se aumentado, com uma maior quantidade de vasoconstrictores circulantes; as plaquetas agregam-se entre si e se aderem mais ao endotélio vascular; alguns fatores de coagulação como a protrombina estão ativados e favorecem a formação da trombina e, consequentemente, a quebra do fibrinogênio em fibrina.

Por sua vez, o sistema anticoagulante natural, representado pelas proteínas C e S, está reduzido, pois podem existir anticorpos contra essas proteínas, diminuindo o seu valor plasmático; e, de forma interessante, para se completar o ciclo, existe a inibição do sistema fibrinolítico.

TROMBOFILIA

A trombofilia é um problema grave e pode ser responsável por alguns abortos “sem explicação”.

Trombofilia é a propensão a desenvolver trombos e/ou outras alterações em qualquer período da vida, inclusive durante a gravidez, parto e pós-parto, devido a uma anomalia no sistema de coagulação do corpo.

Na gravidez existem maiores possibilidades de uma mulher desenvolver a trombofilia. As causas não são todas conhecidas, mas sabe-se que o fator genético da doença é uma delas. Na gestação, as mulheres passam por várias modificações do organismo, podendo ter grande tendência de hipercoagulabilidade natural. Isso é fundamental para garantir que, após o parto, a contração uterina ajude a encerrar a hemorragia que acontece após a saída da placenta.

A trombofilia é um problema grave de saúde e precisa ser tratado o mais rápido possível. Se ignorada, pode trazer sérios problemas para a mãe e até causar a morte do bebê. O risco é que se forme coágulos e obstrua a circulação, dando trombose venosa profunda, embolia pulmonar e cerebral como também obstruindo a circulação placentária.

É importante que o ginecologista que acompanha a gestante conheça o histórico da paciente e faça um acompanhamento mais detalhado caso tenha histórico pessoal ou familiar de trombose; de três ou mais abortos naturais de 1º trimestre, dois abortos de 2º trimestre ou um caso de natimorto; casos de pré-eclampsia, principalmente com menos de 32 semanas; histórico de descolamento prematuro de placenta ou parente de primeiro grau com mutações no sangue.

Para detectar se há algum tipo de trombofilia, o médico deve pedir uma complexa investigação laboratorial. A doença não é detectada em exames de sangue corriqueiros, apenas em específicos.

Existem tratamentos eficazes caso haja o desenvolvimento de trombofilias. O ideal é que o médico que acompanha a gestante fique atento a qualquer sinal e, assim que detectado o problema, encaminhe-a para um hematologista ou reumatologista.

A trombofilia associada a problemas de gravidez, no entanto, muitas vezes é assintomática, o que dificulta o diagnóstico. Ele costuma ser feito quando há antecedência familiar ou abortos repetidos.

Possíveis causas ou fatores de risco:

1. Hereditária;

2. Obesidade;

3. Tabagismo;

4. Diabetes;

5. Pressão alta;

6. Uso de anticoncepcionais.